Escrever

Eu sempre gostei de escrever. Bem ou mal. O tempo passava e eu ia acumulando cadernos e mais cadernos com as minhas versões dos filmes que via e histórias que ouvia e lia. Adorava criar longas narrativas a partir de uma imagem que via em uma revista ou de uma frase que ouvia em uma música. Contudo, mesmo com tanto gosto por criar mundos, personagens e idiomas, eu nunca havia ligado as idéias “eu gosto de escrever” e “eu devia ser um escritor”. Ela sempre me pareceu absurda. Eu sempre carreguei comigo a errônea noção de que para isso eu teria que escrever como os grandes escritores brasileiros, com seus rodeios e floreios, algo que pessoalmente não me atrai.

Recentemente as duas idéias colidiram e passei a ver a possibilidade desse, agora, sonho se tornar realidade. Então comecei a comprar livros sobre o assunto, ler blogs, ouvir toneladas de entrevistas com escritores, sempre prestando muita atenção em seu caminho, sua jornada, as dificuldades e percalços que tiveram de superar.

Hoje, ainda no começo dessa empreitada, vejo que muito ainda me falta. Muitas ferramentas, conhecimentos, técnicas e até mesmo o domínio de meu idioma. Saber escrever bem. Infelizmente não há cursos de escrita criativa ou português e redação em minha cidade que não sejam voltados para o vestibular, isto é, cursos abarrotados de “bizús”… e eu sei que sou um péssimo estudante, ainda assim, acho que vou tentando aprender no caminho mesmo.

Gosto de idealizar novas culturas, criar comportamentos, necessidades, estilos de vida. Estou sempre com um “e se…” em mente, testando possibilidades, revendo cenas cotidianas por outro ângulo. É isso que me leva a construir planetas, dimensões, mitologias, divindades…

“E se…” todas as criaturas de um mundo fossem mutações, erros genéticos naturais, provindos da raça dominante do planeta? “E se…” todas essas “subraças” fossem o que eles chamam de “animais”, com baixos Q.I., trabalhadores braçais, animais de estimação, criaturas sem direitos, mas cheios de deveres?

“E se…” num mundo como o nosso, vivêssemos alheios a verdadeira face da realidade? “E se…” nossas ações, nossos desejos, nossas vidas fossem “controladas” em maior ou menor escala por criaturas invisíveis aos nossos olhos cuja função é equilibrar o fluxo de energia vital no planeta?

“E se…” um garoto empunhasse uma espada tão antiga quanto sua linhagem, que pertenceu aos primeiros de seus antepassados a chegar naquela ilha, e esta espada fosse amaldiçoada a levar seu dono a uma incontrolável sede de sangue? “E se” a cada morte o garoto se tornasse mais forte e mais sedento de sangue, tornado-se uma máquina de matar impossível de ser parada? “E se” não houvesse mais ninguém na ilha para ser morto?

“E se…” você tivesse passado toda sua vida sonhando com grandeza e poder e um dia se visse preso em um pesadelo de indecisões quando descobrisse que tudo que havia sonhado era verdade? “E se…” todo o poder que tivesse lhe incumbisse uma certa responsabilidade sobre os problemas do mundo? “E se…” a cada decisão você só tornasse as situações piores do que já estavam antes de você se envolver?

Muitos “e se…” e estes vêm aos montes, todos os dias.

Hoje estou trabalhando em um livro (sem nome ainda), com a ajuda do James McSill, em nossas sessões semanais (coaching), indo pouco a pouco, cena a cena, descobrindo meu estilo e sentindo onde estou pisando. Já estou hoje (15/09/12) em 47mil palavras e imagino ainda ter mais 50mil pela frente. Quando tudo der certo, atualizo novamente este post.

Abraços.

C.R.Gondim

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4 pensamentos sobre “Escrever

  1. Nossa, essa última é chocante, hein?

    “E se…” a cada decisão você só tornasse as situações piores do que já estavam antes de você se envolver?

    Isso me parece bem “dostoievskiano”… Mas com certeza, fascinante para ser explorado como recurso à pior das sensações de pesadelo. Espero que consiga dar corpo e voz a todas essas suas inquietações mentais. Pode sair um bom caldo daí! Mantenha-me em contato! 🙂

  2. Ah,

    Eu gostaria de ter tempo suficiente para visitar todos os blogs que são divulgados…rs… Mas de vez em quando a gente faz um sacrifício, né? 🙂

    Adorei o seu conto “A Mão de Deus”, que li na íntegra. Acho que você leva jeito para a coisa. E olhe, palavra de parecerista: seu texto não é amador; está numa etapa bem mais à frente! Acho que realmente fez bom uso de todos os livros que andou lendo. Além do excelente português (daria pouquíssimo trabalho a um revisor).

    Poste mais coisas, que virei fazer visitas periódicas, sempre que possível!

    Abs.

    Kyanja

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