Demônios

Os Demônios nossos de cada dia.

Que todos nós, escritores, temos demônios que nos azucrinam sempre na hora H, já sabemos, e seria ingenuidade sua achar que não. Mas você já parou para pensar neles?
Li, recentemente, um artigo bem interessante, daqueles que nos levam a pensar no que nunca pensamos dizendo coisas que já sabemos.
Nesse artigo, o autor (Craig English) separa os demônios de um escritor em dois grupos; Demônios Originais e Demônios Íntimos.
Os tais Demônios são aqueles que nos mantêm longe do papel ou do PC. Eles que nos fazem duvidar de nossas capacidades e desviam nossa atenção. São as plantas que esquecemos de aguar, são as contas que esquecemos de pagar (mesmo que só vençam em 5 dias), são aquelas gavetas que estão desorganizadas, são as compras do fim do mês (mesmo quando ainda estamos no meio dele), é o livro que estamos lendo, os amigos que não vemos mais, a corrida no parque… e tudo mais que inventamos de fazer na hora que sentamos para escrever. Tudo desculpa para nos desviar do que devemos fazer.
Mas quais são os verdadeiros motivos que nos levam a isso? O que nos faz evitar a escrita? O que temos dentro de nós que nos perturba tanto ao ponto de tentarmos correr de algo que, dizemos, nos dá tanto prazer?
Segundo C. English, os Demônios Originais, que agem de uma forma mais ampla e generalizada, dizem para nós coisas como:
  • Você não tem talento.
  • Sua mãe vai acabar lendo isso.
  • Você não aguentaria a rejeição.
  • Você não aguentaria o sucesso.
  • Você não suporta estar sozinho consigo mesmo.
  • Você é uma fraude.
  • Você não merece leitores.
Se identificou? rs. Quando li isso, meus Demônios riram alto.
Já os Demônios Íntimos falam num tom diferente. Eles são mais específicos e difíceis de se identificar. Eles estão ligados a fatos e sentimentos muito íntimos que dificilmente ligaríamos a um desses Demônios. De acordo com C. English, existem alguns meios através dos quais podemos identificá-los:
  • Atente para quais cenas e passagens você evita mais escrever.
  • Procure por personagens sem profundidade.
  • Procure por clichês.
  • Quando ler seus próprios textos, busque partes que tem de ler mais de uma vez.
  • Procure por que partes evocam suas técnicas para se evitar a escrita.
Acho que aqui está a chave do auto-conhecimento. É aqui, quando tentamos entender o que dentro de nós nos faz sentir dessa ou daquela maneira quando escrevemos algo específico, que nos permite viajar dentro de nós mesmos.
Você cansa logo, acha chato ou até mesmo evita cenas de sexo? Você evita passagens mais amorosas? Você faz uso de clichês para não ter de remexer num dado assunto? Por que eles te incomodam tanto? Por que se aprofundar num personagem te incomoda? O que ele te diz de si mesmo?
C. English diz também que devemos convidar os Demônios Originais para um cafezinho (ou chá) sempre que nos depararmos com eles. Sentem-se e discutam sobre a pauta em questão.
  • Que história é essa de que não tenho talento?
E mostre a ele que não é bem assim. Convença-o do contrário. Já os Demônios Íntimos… bem, não haveria discussão com eles. O problema é mais profundo. Se der de cara com um, pule em cima e parta pro ataque. rs.
Eu achei o artigo muito pertinente e bem esclarecedor. Sugiro sua leitura. Ele está na revista The Writer (sim, em inglês) de Out/12. Eu a assino no iPad, mas não sei se está disponível em outras plataformas.
E você, acredita nesses Demônios? Você já havia pensado neles? Quais são os seus Demônios? Gostaria de compartilhar alguns com a gente?
Um Demônio meu é, por exemplo, fazer posts nos meus blogs… por isso tenho dois, para dificultar ainda mais minha vida, rs.
Bom dia!
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7 pensamentos sobre “Demônios

  1. Ah esses demônios… É interessante usar uma entidade considerada maldosa para designar aquela nossa parte que nos sabota, que não acredita em nós. Pois é, é assim que eu os vejo.Os demonios que me assombram sou eu. Esses demônios me dizem que eu não sou capaz de escrever um livro, que eu não sou capaz de fazer um mestrado (mais ainda, que não teria nem capacidade para passar na seleção) e eles me perturbam muito… Não escrevo ficção, não crio histórias, mas produzir um trabalho científico também tem lá seus momentos difíceis. Mas é por aí mesmo, gostei do que o autor colocou: seja conversando ou partindo para o ataque, é preciso reagir a esse demônios, sob pena de não conseguir passar da primeira linha!

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