As árvores somos nós

Bom dia!

Hoje venho aqui falar um pouco do turbilhão de pensamentos e sentimentos que assistir ao A Árvore da Vida me causou.
Estou procurando palavras que me facilitem expressar o que penso desta obra.
Gigantesco por englobar tudo e todos.
Pequeno pela precisão em que ele nos afeta nos detalhes.
Complexo por ser o tipo de filme (ou documentário da Discovery, como os ignorantes preferem) que te instiga (e por isso eu digo: não deve haver um ser pensante que não seja atingido por aquelas imagens e trilha sonora. A não ser que o termo “pensante” não se aplique). Eu saí do filme arrebatado, ruminando cenas, dando significados à imagens, buscando lá no fundo coisas das quais não lembrava ou, sequer, sabia existirem.
Simples por que, se você não está afim de colocar a massa cinzenta pra trabalhar, por estar muito acostumado com as novelas, ainda dá para ver, ouvir e viajar em suas próprias memórias.
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E te garanto que a viagem será única!
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Não acho que exista uma forma “certa” de se interpretar esta peça. Todas são válidas.
Eu o vi assim… (não me preocupo com spoilers. Este filme nunca será visto da mesma forma pela mesma pessoa, pois sempre haverá algo novo a ser explorado)
Casal perde filho e cai no conhecido funil de questionamentos. Eles questionam tudo, inclusive a lealdade de seu deus… onde estaria ele naquele momento? (Questionamento também feito pelo próprio filho ao ver um amigo morto)
“Olha como amávamos nosso filho… veja, senhor deus, desde o começo, como aprendemos a amá-lo, uma vez que dele cuidamos desde sua concepção até sua morte. Preste atenção em tudo aquilo pela qual passamos para chegarmos aqui, neste dia, dos mais tristes de nossa vida, para descobrir que você, deus, pouco parece se importar com essa pequena vida.”
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E vem a resposta…
No começo não havia nada… ou havia algo, um tudo, talvez, mas na forma dele. Era somente ele ali. E ele teve uma idéia e passou a trabalhar nela. E ele a viu tomar forma, crescer, mudar, expandir… (…) … universo, astros, galáxias, estrelas, planetas, vulcões, mares, vida, … (…) … (lembrei de todas as minhas aulas de biologia)
“Como vocês querem dizer que eu não me importo quando eu também concebi e dei vida a tudo? Vocês o viram nascer e morrer, enquanto eu os vi nascer e também os verei morrer. Eu os assisto desde o início.”
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O que acho interessante são os questionamentos, tão comuns à todos nós. Não importa a raça, credo ou nacionalidade. Eles estão sempre lá. E o pai? Tão imperfeito quanto seu próprio deus? Os mesmos questionamentos feitos pelas crianças em relação ao pai, o pai fazia em relação a seu deus, ao pai de todos.
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Quem não se maravilhou frente à uma nova vida? Quem não acompanhou o crescimento de um filho, irmão, primo? Quem não encarou a morte pela primeira vez temendo pela vida da mãe, logo ao descobrir que ela, ao contrário do que se pensava, não era eterna? Quem não viu em seu pai um rival em busca pelo “finito” amor da mãe (Freud explica)? Quem não questionou seus atos e se perguntou ser uma pessoa boa ou má? Quem não viveu conflitos em casa? Quem não aprendeu a confiar em alguém para logo mais ter esta confiança jogada no ralo por um ato impensado? Quem não teve de desculpar tais atos? Quem não viu uma mãe aflita frente ao comportamento do marido? Quem não viu sua mãe defendendo-lhe do próprio pai? Quem não viu o constrangimento estampado na cara daqueles que vivenciaram as injustiças de um pai perdido e frustrado? Quem não perdeu alguém que muito amava e que, por mais que a razão lhe diga o porquê dela ter partido, não há um sentimento que lhe conforte e te faça aceitar a razão como explicação para aquilo?
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No final, depois de tanto sofrimento, é abrir a porta e deixar partir.
Não há o que fazer. Já dizia a sábia Oráculo “Tudo que tem um começo, tem um fim, Neo”.
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E é isso mesmo. O seu deus convive com isso o tempo todo. Ele os tem assistido desde o começo e os vê vir e ir.
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[atualização] Estava aqui almoçando e lembrando de quando fiz um cruzeiro pelo rio Amazonas e perguntei ao capitão da embarcação qual era a diferença entre os rios Negro e Solimões. Ele respondeu: o Negro é poesia.
E é assim que vejo A Árvore da vida. Poesia na tela.
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E você que assistiu ao A Árvore da Vida, o que te passou pela cabeça durante a projeção!?
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Abraços
C.R.Gondim
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Ps: não sou religioso ou sequer me considero cristão. Aliás, não acredito em nenhum dos deuses a mim apresentados até hoje e não creio que esta força maior seja algo atuante em nossas vidas. Prefiro acreditar que tudo que nos acontece é reflexão de nossos próprios atos a ficar sempre jogando um “Graças a deus” (tirando sempre o mérito de nossas mãos) ou um “Se deus quiser” (jogando a responsabilidade do que virá para longe de si).
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